Grandes estilistas abrem lojas exclusivas para homens, os principais consumidores da vez

“O homem é o novo BRIC do mercado de luxo”, afirma Fabio Garcia, consultor de moda e acessórios masculinos, ao fazer uma comparação com os países emergentes, entre eles o Brasil (junto à Rússia, Índia e China). Ele se refere à valorização da moda masculina nos últimos tempos, especialmente em 2010. Esse ano, algumas grifes não apenas incrementaram suas coleções masculinas, como abriram lojas exclusivas para receber os moços.

Uma gravata gigante à porta da Hermès, em Nova York, denuncia o perfil da loja

 

Uma gigante gravata laranja pendurada na fachada da Hermès, na Madison Avenue, em Nova York, era incontestável. A loja, aberta em fevereiro, é o reduto para a coleção masculina da grife. Ali, são vendidas toda a linha e alguns produtos desenvolvidos especialmente para eles, como uma luva de couro de beisebol ao preço de US$ 8.500. “Acredito que é uma questão de oportunidade. O mercado precisa crescer, e voltar-se para o consumidor masculino é um caminho”, afirma Fabio.

Os artigos masculinos também ganharam visibilidade nas araras de Vivianne Westwood. A estilista inglesa de vanguarda vende só artigos masculinos no número 18 da Conduit Street, em Londres. Balenciaga também surpreendeu e inaugurou seu cantinho exclusivo em Paris. O diretor criativo, Nicolas Ghesquière, segue o conceito da marca: nada na vitrine. A loja de 60 m2, em Saint Germain, tem uma escadaria iluminada e foi inspirada em um submarino.

Viviene Westwood abriu mais um espaço na Conduit Street, em Londres. Desta vez, só para os homens

Decoração mais sóbria e serviços mais objetivos são pressupostos para atrair os rapazes, como na Balenciaga

Na Ralph Lauren masculina, a moto Confederate 120 Fighter Combat Edition é a atração

Decoração mais sóbria e serviços mais objetivos são pressupostos para atrair os rapazes. “O homem já sabe o que quer quando entra em uma loja. Se o vendedor começar a insistir para que ele leve outras coisas, pode perder a venda. Os serviços têm de ser realmente efetivos, como um alfaiate, por exemplo”, completa Fabio.

Ralph Lauren, que originalmente nasceu como uma grife masculina, voltou às origens ao abrir, também na Madison, em Nova York, um verdadeiro templo para os adeptos do estilo Ralph Lauren de ser. Até marcas que enfraqueceram nos últimos tempos, voltaram a investir.

Segundo Lula Rodrigues, consultor estratégico de moda masculina e colunista do iG, a marca Hugo Boss é um exemplo. “Eles vão voltar com tudo porque há demanda. A visibilidade que os homens ganharam na mídia no começo da década com rótulos como metrossexual é irreversível”.

Para Lula, o segmento corporativo e a necessidade de estar bem vestido para sobreviver no mercado impulsionaram o crescimento. “Eles sabem o que comprar, pagam o necessário se o produto tiver um valor agregado. Investir no consumidor masculino é a saída para o mercado de luxo.”
SERVIÇO:
Hermès
690 Madison Avenue, Nova York
 

Vivianne Westwood
18 Conduit Street, Londres
 

Balenciaga
Rue de Varenne, 5, Paris
 

Ralph Lauren
867, Madison Avenue, Nova York 

Fonte: Gazeta do Povo